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17º
Tema HISTORIOGRAFIA E HISTORIADORES
PARAIBANOS Expositor: Guilherme d’Avila Lins Debatedor: Luiz Hugo Guimarães A fala do Presidente: Vamos dar reinício aos nossos
debates. Hoje é a penúltima sessão deste Ciclo, que já está dando saudades, e
vamos abordar o tema HISTORIOGRAFIA E HISTORIADORES PARAIBANOS, cujo expositor
é o nosso consócio Guilherme d’Avila Lins, a quem convido para participar da
mesa; como debatedor, a Comissão Executiva do Ciclo colocou meu nome para
colaborar com o nosso ilustre expositor e, como já estou na mesa, me considero
convidado, dispensando as palmas habituais; convido também o acadêmico Joacil
de Britto Pereira, presidente da Academia Paraibana de Letras; convido também
nosso consócio Deusdedit Leitão, ex-presidente deste Instituto e grande
historiador. Outro dia já fiz a apresentação do
nosso consócio Guilherme d’Avila Lins, que é um dos mais novos sócios do
Instituto e também um dos mais novos historiadores. Ele inventou de ser médico,
para ganhar a vida, mas viu que esse negócio de Medicina deu pouco e ele
arranjou um gancho de historiador. Guilherme é um estudioso, tem
vários trabalhos publicados e é amante da pesquisa. Antes de passar a palavra ao
palestrante, quero fazer, com pesar, um registro especial. Ontem faleceu um
consócio nosso, o historiador José Fernandes de Lima. Assim, estamos realizando
esta sessão em pleno luto, com nossa bandeira hasteada à meia-verga. Ele ocupava a cadeira nº 22, do
nosso Instituto, cujo patrono é o Cônego Florentino Barbosa. O corpo de Dr.
José Fernandes de Lima foi enterrado pela manhã, o Instituto esteve presente
pelo seu presidente e alguns associados, e em nome da instituição falou o nosso
companheiro Joacil de Britto Pereira na ocasião do sepultamento do inditoso
colega. Dr. José Fernandes de Lima
pertencia a uma tradicional família de Mamanguape e teve uma atuação muito
grande em nosso Estado. Foi deputado estadual durante 40 anos, foi prefeito de
Mamanguape várias vezes, Secretário de Estado, presidente da Assembléia
Legislativa e, quando Pedro Gondim teve de se afastar do Governo para se
candidatar a reeleição, ele governou o Estado durante 11 meses. Era uma figura
íntegra, austera, honesta, e um dos grandes valores da história política da
Paraíba. Deixou vários trabalhos
parlamentares e vários trabalhos publicados em nossa Revista. Ele editou, por
sua conta, O DIÁRIO DO PARAGUAI, do comendador José Campello, com base numa
documentação que ele localizou em Mamanguape.. É de sua autoria o livro A
LEALDADE E HEROISMO DO ÍNDIO POTIGUARA PEDRO POTY. Para prestar nossa homenagem
àquele consócio falecido, solicito dos presentes que, em sinal de pesar,
façamos, de pé, um minuto de silêncio. Dando início aos nossos trabalhos,
passo a palavra ao expositor deste tema, consócio Guilherme d’Avila Lins. Guilherme d’Avila
Lins: (Membro
do IHGP, presidente do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, médico,
professor universitário e historiador com vários trabalhos publicados) Antes de dar início à leitura do trabalho que
trouxe por escrito, gostarei de fazer algumas considerações preliminares. Quero
dizer que me senti muito lisonjeado com o convite me foi para participar como
expositor desta sessão de hoje e quero dizer o quanto ele me envolveu porque
percebi que faltava apenas um ponta-pé inicial para que sentisse a necessidade
de, em seguida, transformar esta palestra numa plaqueta, comprometendo-me a
escrever um livro sobre Historiografia e Historiadores da Paraíba, porque este
tema é extremamente palpitante. Bem que nosso Estado, que produz conhecimento,
letras históricas, literatura de um modo geral, merece ter uma obra específica
e independente sobre historiografia. Este é um compromisso que assumo neste
momento. Não pretendo esgotar totalmente o
assunto, seria uma veleidade e nem seria possível no espaço de tempo que me é
reservado. Vou me concentrar num resgate dos
itens e das considerações historiográficas que precisam ser resgatadas, tendo
em vista as lacunas que existem na matéria em nosso meio. Portanto, um grande
parte da nossa historiografia será aqui omitida, por razões óbvias. Terei que dar um enfoque muito
maior para o primeiro século, embora eu chegue até o século XX. Eram essas as
palavras iniciais que queria dizer. Parece-me de bom alvitre, por
razões metodológicas, estabelecer aqui, desde já, as premissas conceituais por
mim convencionalmente adotadas, para o desenvolvimento deste tema simples
apenas na aparência, ou seja a HISTORIOGRAFIA E HISTORIADORES PARAIBANOS. Em primeiro lugar, independente
das circunscrições conceituais doravante adotadas e considerando-se,
principalmente, o limite de espaço e tempo que tenho à disposição, não será
possível, nem tampouco necessário procurar debulhar, por extenso, a HISTORIOGRAFIA
PARAIBANA e os HISTORIADORES PARAIBANOS, em cujo recorte cronológico se
avantajam mais de quatro séculos de produção historiográfica até se chegar aos
dias atuais, tendo-se ainda em vista que a cada nova centúria, a partir do
Século XVI, terei que lidar com um redimensionamento crescente de autores e
títulos, talvez em progressão geométrica, quiçá logarítmica. Aliás, no desenvolvimento desta tarefa não
pretendo sequer atingir os dias atuais e até serei cada vez mais lacunar à
medida que for avançando no tempo, pelo menos nesta oportunidade que, espero,
seja apenas a avant-première de um
trabalho mais elaborado que pretendo publicar sobre o mesmo assunto. Em segundo lugar, ao longo desta
exposição achei por bem entender a expressão HISTORIOGRAFIA E HISTORIADORES
PARAIBANOS (que sob rigor semântico limitaria sobremaneira, de forma
inadequada, o tema em tela), como sendo a HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA E
HISTORIADORES DA PARAÍBA(a qual, assim posta, permite uma abordagem mais
conveniente da questão). Dessa maneira, não me limitarei
aqui apenas a autores nascidos no Estado da Paraíba e que se dedicaram à
História, mais particularmente, à sua História. Noutras palavras, quero dizer
que, por um lado, excluirei autores paraibanos de nascimento que se dedicaram à
História de outras plagas, tais como Carlos Eugênio Porto, autor do importante ROTEIRO
DO PIAUÍ [1. ed., Rio de Janeiro, 1955, 2. ed., Rio de Janeiro, 1974] (e aqui
faço a discriminação de todas as edições existentes, que não lerei, porque o
tempo é exíguo, prometendo registrar no trabalho posterior que prometi
elaborar) mas, por outro lado, computarei aqui muitos outros autores nascidos
fora da Paraíba e que escreveram sobre a História desta terra, como o ilustrado
paulista J(oão). F(ernando)., [ou ainda, Yan] de Almeida Prado, autor de uma
discutível obra encomendada pelo jornalista Francisco de Assis Chateaubriand
Bandeira de Mello, sob o título de a CONQUISTA DA PARAÍBA (SÉCULOS XVI A XVIII)
(São Paulo, 1964), bem como autor de outro livro bem mais apreciado, sob o
título de PERNAMBUCO E AS CAPITANIAS DO NORTE DO BRASIL (1530-1630): HISTÓRIA
DA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA [São Paulo, 1939-1942, 4 t.]. Ademais também não fará aqui a menor
diferença se as obras em questão versam com exclusividade ou com predominância
ou apenas minoritariamente sobre a Paraíba, cabendo, no caso, usar o bom sendo
para incluí-las nessa exposição, mediante critério, por excelência, do valor
historiográfico. Em terceiro lugar, seguindo a
forma preconizada por José Honório Rodrigues, usarei também aqui como critério
de inclusão dos diversos autores e suas respectivas obras, todavia sem usar de
rigor absoluto, a “distinção entre
documento histórico e historiográfico”. Este último, evidentemente, é o
que se aplica neste nosso tema, entretanto, como também assinalou o mesmo
historiógrafo acima citado, nem sempre é simples de fazer tal distinção, já que
“todo documento historiográfico é
histórico, mas nem todo documento histórico é historiográfico”. Assim,
parafraseando o mesmo José Honório Rodrigues, pode-se dizer que, com relação à
Paraíba, a crônica anônima abreviadamente conhecida como o SUMÁRIO DAS ARMADAS
“é, por exemplo, documento histórico, fonte principal de determinado período
porque seu autor o escreveu (em boa parte), enquanto os fatos se sucediam, e é
documento historiográfico, com uma construção elaborada do passado e do seu
presente”. Em quarto lugar, considero que
para se planejar um estudo historiográfico, no caso um estudo
historiográfico da Paraíba, entendendo-se aqui a historiografia como
a história da história, é de particular importância que tal estudo se
insira em um modelo coerente de periodização – uma das coisas mais
difíceis em História, segundo a abalizada opinião, entre outros, do Prof. José
Pedro Nicodemos – modelo este que, na prática, funcionará como um roteiro
sistemático e abrangente da obra que se pretende elaborar. Nesta específica
exposição, contentar-me-ei com apenas traçar um pálido esboço para um estudo
historiográfico da Paraíba com as características até agora delineadas,
aproveitando para tanto, inclusive, roteiros sistemáticos (ou modelos de
periodização) preexistentes de aceitável validade. Em quinto lugar, não cuidarei
nesta exposição, exceto em condições excepcionais, de documentos manuscritos,
particularmente os administrativos, nem tampouco de catálogos impressos de
documentos manuscritos. Tampouco cuidarei de bibliografias. Em sexto lugar, por razões pouco
adequadas e decerto vulneráveis porém, aqui, até certo ponto plausíveis, considerando
ainda que este trabalho se apresenta na prática apenas como uma nota prévia
de um estudo historiográfico mais abrangente que esta incumbência a mim
confiada neste Ciclo de Debates estimulou a desenvolver e a publicar em futuro
próximo, resolvi não incluir no final deste trabalho as necessárias referências
bibliográficas que, certamente, não dispensarei na sua versão definitiva,
entretanto, ao longo deste texto, indicarei muito sucintamente as edições das
obras aqui registradas. Finalmente, como sétima e
derradeira premissa metodológica, sabendo que a HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA não é
privilégio exclusivo dos HISTORIADORES PARAIBANOS, ou seja, dos autores nativos
deste atual Estado da República, anterior Província do Império e antiga
Capitania da Colônia, também não será supérfluo, num trabalho desta natureza, o
assinalamento da naturalidade desses autores, bem como outros eventuais dados
interessantes das suas respectivas identidades, sempre que oportuno. Isto posto, desenvolverei a partir
de agora um esboço historiográfico da Paraíba dando ênfase,
propositadamente, ao primeiro século da nossa História e tentando, na
medida do possível, preencher algumas das várias lacunas gritantes, para não
falar de outras tantas incorreções e imprecisões que se costumam ler em
determinados ensaios historiográficos já tão repetitivamente divulgados, apesar
de suas carências metodológicas. HISTORIOGRAFIA DA
CONQUISTA E DA COLONIZAÇÃO INICIAL DA PARAÍBA Levando-se em conta, por um lado,
a utilização do idioma português em prosa como meio de comunicação e,
por outro lado, levando-se em conta o universo da Paraíba como matéria
exclusiva de abordagem temática, a historiografia desta terra se inicia, na
prática, com uma crônica sem data declarada, da autoria de um certo jesuíta
anônimo, testemunha presencial de boa parte dos fatos por ele relatados,
versando sob as várias tentativas de conquistas da Paraíba e abrangendo as
ocorrências a elas pertinentes entre 1574 e 1587, cujo título completo é SUMÁRIO
DAS ARMADAS QUE SE FIZERÃO, E GUERRAS QUE SE DERÃO NA CONQUISTA DO RIO
PARAHIBA, ESCRIPTO E FEITO POR MANDADO DO MUITO REVERENDO PADRE EM CHRISTO O
PADRE CHRISTOVÃO DE GOUVÊA, VISITADOR DA COMPANHIA DE JESUS DE TODA A PROVINCIA
DO BRASIL, doravante simplesmente
denominado de SUMÁRIO DAS ARMADAS [hoje
já com seis edições, porém, para espanto geral, ainda sem qualquer verificação
da fidelidade textual aos seus respectivos códices de origem: 1. ed., Rio de
Janeiro, 1848; 2. ed., Rio de Janeiro, 1873; 3. ed., Parahyba do Norte, 1909;
4. ed., João Pessoa, 1974; 5. ed., Campina Grande (PB), 1983; 6. ed., Rio de
Janeiro, 1996]. Esta crônica tem sido ultimamente cognominada de a “Certidão
de Batismo da Paraíba” à semelhança do que ocorrera antes com a famosa
carta de Pero Vaz Caminha ao Rei de Portugal, D. Manuel, o Venturoso, por sua
vez denominada a “Certidão de Nascimento do Brasil”. Mesmo sabendo que,
a rigor, o SUMÁRIO DAS ARMADAS, não é cronologicamente a reação mais antiga
sobre a Paraíba, aquela comparação entre esta crônica anônima e a carta de
Caminha é razoavelmente aceitável, todavia, somente até certo ponto, uma vez
que esta carta descreve certos episódios históricos in statu ascendi, em que as fontes do relato foram
exclusivamente os fatos observados pelo
missivista à medida que iam acontecendo. Já no caso do SUMÁRIO DAS ARMADAS,
embora a mesma característica possa ser observada ao longo da esmagadora
maioria do seu texto, houve entretanto algumas ocasiões em que seu autor não
somente recorreu a fontes orais e escritas, como também chegou a admitir que
leu livros para redigir a sua crônica ao afirmar: “Mas, tornando [eu agora] ao ponto, d’onde me[ad]verti,
por dar [até aqui] uma breve relação
de cousas que, nos livros que falam do Brasil, não achei escriptas”. Desta maneira, entre os indícios
de várias outras obras que teriam sido consultadas por aquele jesuíta anônimo
tive a oportunidade de também averiguar, através de pesquisa pessoal, a
consulta feita por ele a uma outra crônica jesuítica mais antiga, também de
autor desconhecido, escrita em espanhol e hoje já duas vezes impressa, chamada HISTÓRIA
DE LA FVNDACION DEI COLLEGIO DE LA CAPITANIA DE PERNAMBUCO (1. ed, Porto, 1923,
Rio de Janeiro, 1936), cuja redação terminou em outubro de 1576. Acerca do SUMÁRIO DAS ARMADAS escrevi
ultimamente uma alentada crítica de atribuição em três volumes, ainda inédita e
em vias de publicação, sob o título de GRAVETOS DE HISTÓRIA. REVISÃO DA CRÍTICA
DE ATRIBUIÇÃO DA MAIS ANTIGA CRÔNICA DA PARAÍBA E OUTRAS ACHEGAS HISTÓRICAS
CNTEMPORÂNEAS. Neste trabalho, além de muitas “outras achegas históricas
contemporâneas”, veio finalmente à luz, através de elementos de crítica
interna e externa, não somente a data em que estava sendo redigido o SUMÁRIO
DAS ARMADAS (1594), data esta até hoje profusamente controvertida e sem
qualquer abordagem metodológica, como também foi possível tornar sem efeito a
argumentação básica que levou o ilustre historiador lusitano, padre Dr. Serafim
Soares Leite, S.J;, a concluir de forma aparentemente inquestionável que o autor
daquela crônica primeva da Paraíba seria obrigatoriamente o padre Simão
Travaços, S.J. (nascido em Ferreiros, então bispado de Braga, em Portugal), e
não o padre Jerônimo Machado, S.J. (natural da Capitania de São Vicente, no
Brasil), os únicos possíveis candidatos à sua autoria. É preciso ainda
salientar aqui que o SUMÁRIO DAS ARMADAS jamais foi “Rebatisado [?]” em “1983”
com o nome de “HISTÓRIA DA CONQUISTA DA PARAÍBA”, como ultimamente tem
sido diversas vezes propalado, de maneira incorreta, em nosso meio. Este título
geral espúrio, cuja grafia original e escorreita é HISTÓRIA DA CONQUISTA
DO [RIO] PARAHYBA, título este que foi inicialmente utilizado de forma associada
e antecedendo o nome verdadeiro desta crônica anônima, não tem a
menor importância para a identificação do SUMÁRIO DAS ARMADAS e, na realidade,
foi cunhado quase um século e meio antes de “1983”, ou seja, no ano de 1848, por José Feliciano
de Castilho Barreto e Noronha, responsável que foi pela sua primeira edição
no Rio de Janeiro. Melhor, portanto, será esquecer aquele título geral
espúrio que só serve para confundir a cabeça dos menos avisados, da mesma
forma que, felizmente, já foram esquecidos outros seis diferentes títulos
sugeridos no século passado para esta mesma crônica anônima (estes últimos de
caráter substitutivo e não associativo, o que foi mais grave),
com osquais o grande historiador Francisco Adolpho Varnhagen parecia, ao longo
do tempo, estar querendo dificultar o leitor interessado a identificação do SUMÁRIO
DAS ARMADAS, já que este autor sorocabano, sem qualquer referência prévia ao
seu verdadeiro nome, teimava em chamá-la, ora de RELAÇÃO DA TOMADA DA PARAÍBA
(1851), ora DA CONQUISTA DO RIO PARAHIBA (1854), ora JORNADA E CONQUISTA DA
PARAHIBA (1874), ora GUERRAS DO RIO PARAHIBA (1877), ora CONQUISTA DA PARAHIBA,
1587 [sic] (1877), ora DA CONQUISTA DA PARAHIBA (1877). Registre-se ainda aqui
que devo em breve preparar uma edição crítica e definitiva do SUMÁRIO DAS
ARMAAS incluindo as transcrições diplomáticas dos dois apógrafos seiscentistas
desta crônica, cuja íntegra é totalmente desconhecida do público leitor do
Brasil em que pese, como já ficou dito, o fato de esta obra já possuir seis
edições entre 1848 e 1996. Considerando-se ainda como
referência básica a utilização do idioma português em prosa como meio de
comunicação, embora sem exclusividade temática para o universo da Paraíba, não é possível
deixar de assinalar aqui, para surpresa de alguns, dois importantes escritos do
padre Joseph de Anchieta, S.J. (canarinho de Tenerife), ambos anteriores à
redação do SUMÁRIO DAS ARMADAS, ambos do ano de 1584. Estes escritos, embora
extremamente superficiais, pois registram fragmentos históricos brevíssimos do
processo da conquista da Paraíba, nem por isso são negligenciáveis. No primeiro texto o padre Joseph
de Anchieta, S.J., escreveu apenas o seguinte: “No ano de 1581 viera em companhia de Frutuoso Barbosa, que vinha
povoar o rio da Paraíba, três frades do Carmo e dois ou três do S. Bento a
Pernambuco. Mas como não se povoou a
Paraíba, não fizeram mais que prègar e confessar sem fazer mosteiro. Veio
também em sua companhia um de S. Francisco que também prègou algum tempo em
Pernambuco e tornou-se para o reino”. Este primeiro excerto pertence à EMFORMAÇÃO
DO BRAZIL E DE SUAS CAPITANIAS. [1. ed., Rio de Janeiro, 1844; 2. ed., Rio de
Janeiro, 1886; 3. ed., Rio de Janeiro, 1886; 4. ed., Rio de Janeiro, 1933; 5.
ed., São Paulo, 1964; 6. ed., Belo Horizonte/São Paulo, 1988]. Já no segundo texto o padre Joseph
de Anchieta, S.J., escreveu: “Por todo
o tempo que dursou a guerra da Paraíba [até este ano de 1584] feita por Diogo Flores [de Valdez], comandante das tropas reais, os nossos
pades, todos os dias, em preces e ladainhas, rogavam a Deus onipotente a
vitória dos Portugueses. Por essas preces, a divina bondade não só lhes
concedeu a princípio a desejava vitória, como também mais duas, ou três vezes
os aniou com o mesmo triunfo. Continuando o ataque ao reino por parte da
armada, com cerco tão apertado oprimiram o forte dos Cristãos [forte de São
Felipe e São Tiago], que quasi mortos de
fome se viram obrigados a se alimentar de carne de cavalo. Com o favor de Deus,
desta vez alcançaram a vitória”. Este segundo excerto pertence à BREVE
NARRAÇÃO DAS COISAS RELATIVAS AOS COLEGIOS E RESIDENCIAS DA COMPANHIA NESTA
PROVINCIA BRASILICA, NO ANO DE 1584 [1. ed., Rio de Janeiro, 1897; 2. ed., São
Paulo, 1900; 3. ed., 1933; 4. ed., Belo Horizonte/São Paulo, 1988.]. Estes dois
excertos, quando confrontados ao SUMÁRIO DAS ARMADAS servem também para mostrar
o estreito intercâmbio de notícias que existia já naquele tempo entre os
diversos Colégios e Residências da Companhia de Jesus. Quanto ao último
excerto, em particular, diga-se que o jesuíta anônimo, autor do SUMÁRIO DAS
ARMADAS, confirmou mais tarde aquela notícia do padre Joseph de Anchieta, S.J.,
segundo a qual aqueles milicianos do efêmero forte de São Felipe e São Tiago
tiveram que comer carne de cavalo para não morrer de fome. Com toda a segurança, é ainda
daquele mesmo ano de 1584 a mais antiga obra referente com exclusividade à
Paraíba, a qual, entretanto, foi redigida em espanhol e em versos.
Trata-se de um interessantíssima crônica sobre uma das tentativas de conquista
da Paraíba, da autoria de Juan Peraza, soldado espanhol do General Diogo Flores
de Valdez, cujo título é RELACION CIERTA Y VERDADERA QUE TRATA DE LA VICTORIA Y
TOMA DE LA PARAYVA, QUE EL ILUSTRE DIOGO FLORES DE VALDEZ TOMÓ COM LA ARMADA DE
SUA MAGESTAD REAL, DE QUE LHE POR CAPITAN GENERA EM LA JORNADA DE MAGALLÁNES Y
GUARDA DE LAS INDIAS. CUENTA COMO CORRIENDO LA COSTA
DEL BRASIL HALLÓ UN PUERTO QUE LOS FANCEZES TENIAM TOMADO Y ALLI ESTABAN ELLOS
FUERTES, Y DE COMO SE LO GANÓ Y QUEMÓ LAS NAVES Y CASAS QUE TENIAM, COMO LO
CUENTA LA OBRA MAS LARGO [1. ed., Sevilla, 1584; 2. ed., Madrid, 1880]. O mestre João Capistrano Honório
de Abreu conheceu esta crônica e chegou a sumariar seu conteúdo reproduzindo
alguns poucos versos seus sem, todavia, explicitar-lhe o longo título. Embora
essa crônica em versos de Juan Peraza seja muito raramente registrada por
igualmente raros autores, seu título ou seu texto integral, que
consegui afinal coligir, bem como sua própria existência continuam muito
pouco conhecidos e jamais vi uma citação por parte dos chamados especialistas
em estudos historiográficos da Paraíba. Aparentemente, o jesuíta anônimo, autor
do SUMÁRIO DAS ARMADAS, também não conheceu esta crônica em rimas de Juan
Peraza, publicada em Sevilha em 1584. Sem entrar no mérito da respectiva
apreciação crítica também não se pode deixar de assinalar aqui uma obra
jesuítica da autoria do padre Fernão Guerreiro, S.J. (natural de Almodovar,
Portugal), que, embora não conhecendo o texto do SUMÁRIO DAS ARMADAS e
baseando-se em informações outras também de origem jesuítica, relatou um
determinado feito heróico não registrado nesta última crônica anônima, a qual
teve como protagonista um dos padres da Companhia de Jesus, aí não
identificado, que acompanharam uma das expedições de conquista da Paraíba, sob
as ordens do Ouvidor Geral Martim Leitão. A referida obra do padre Fernão
Guerreiro, S.J., é a RELAÇAM ANNAL [sic] DAS COUSAS QUE FEZERAM OS PADRES DA
COMPANHIA DE JESUS, NAS PARTES DA INDIA ORIENTAL, 7 NO BRASIL, ANGOLA, CABO
VERDE, GUINE, NOS ANNOS DE SEISCENTOS 7 DOUS 7 SEISCENTOS 7 TRES, 7 DO PROCESSO
DE CONVERSAM, 7 CHRISTANDADE D’AQUELLAS PARTES, TIRADA DAS CARTAS DOS MESMOS
PADRES QUE DE LÁ VIERAM. PELO PADRE FERNAM GUERREIRO DA MESMA COMPANHIA,
NATURAL DE ALMODOUVAR DE PORTUGAL [1. ed., Lisboa, 1605; 2. ed., Coimbra,
1930-1942, 3 t.]. Muitos e muitos anos mais tarde, tanto o Senador Cândido
Mendes de Almeida quanto o padre Dr. Serafim Soares Leite, S.J., fizeram
referência ao tal feito heróico (e fantástico), a respeito do qual este último
autor jesuíta se mostrou menos crédulo que o seu antecessor leigo Tive também a
oportunidade de tecer alguns comentários críticos sobre aquele episódio heróico
nos GRAVETOS DE HISTÓRIA..., atrás assinalados. Outra obra extremamente importante
para este período e que passou mais de trezentos e cinqüenta anos inédita e sem
tradução para o português é a de um autor franciscano, frei Manuel da Ilha,
O.F.M. [nascido em Portugal], que, mesmo sem ter vindo ao Brasil porém baseado
em documentação da sua Ordem, escreveu no ano de 1621, em latim, a NARRATIVA DA
CUSTÓDIA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL: 1584/1621 (DIVI ANTONII BRASILIAE
CUSTODIAE ENARRATIO SEU RELATIO NUMERIQUE DOMORUM ET DOCTRINARUM QUAE IN ELLA
SUNT NECNON ALIARUM RERUM NARRATIONIS DIGNARUM, ETC.). [1. ed., Petrópolis
(RJ), 1975]. Nesta obra muitas informações de capital importância para a
Paraíba podem ser colhidas, entre as quais o esclarecimento das circunstâncias
e da data em que Frutuoso Barbosa construiu o forte do Inobi, sob a invocação
de Santa Margarida, bem como a em que também construiu a primeira versão
arquitetônica do forte do Cabedelo ambos no ano de 1589 e, neste último
caso, ficam assim totalmente retificadas tantas opiniões equivocadas e até hoje
perpetuadas repetitivamente para as novas gerações, inclusive uma obra didática
local bastante difundida que indica o ano de “1586” para o levantamento do forte do Cabedelo. Registre-se,
ainda, como ilustração adicional, que na NARRATIVA DA CUSTÓDIA DE SANTO ANTÔNIO
DO BRASIL: 1584/1621 existe uma importante informação sobre um ataque de
corsários franceses à Capitania da Paraíba em 1597, a qual fica em parte
complementada por outra obra que citarei logo adiante, editada em inglês por
Richard Hakluyt. Existe ainda uma outra crônica
jesuítica anônima que, por sua vez, traz uma pequena, porém, valiosa informação
relativa aos primeiros anos da colonização da Capitania da Paraíba (acerca da
população branca e escrava, além do número de engenhos até então aí
levantados), informação esta que permaneceu inédita por quase quatro séculos.
Trata-se do manuscrito quinhentista da Biblioteca da Real Academia de la
Historia, de Madrid, conhecido como o Manuscrito de Madrid (redigido em 1590),
para diferenciá-lo de outro códice análogo pertencente à Biblioteca da
Universidade de Coimbra. O Manuscrito de Madrid tem o seguinte título: DE
ALGUÃS COUSAS MAIS NOTAVEIS DO BRASIL E DE ALGUNS COSTUMES DOS INDIOS [1. ed.,
Rio de Janeiro, 1966]. Graças a pesquisas do padre Dr. Serafim Soares Leite,
S.J., esta crônica é atribuída atualmente ao padre Francisco Soares, S.J., nascido
em Ponte de Lima, Portugal, e que morou no Brasil, mas não conheceu a Capitania
da Paraíba. A obra que se segue e que já foi
superficialmente antecipada há pouco, tem a particularidade de ter sido
publicada em inglês em 1600 e o documento
(carta) nela contido, que nos interessa mais de perto, foi produzido
originalmente em português no dia 20 de agosto de 1597 por Feliciano Coelho de
Carvalho, Governador da Capitania da Paraíba, que o destinava ao Rei Felipe II
da Espanha [I de Portugal], entretanto, esta carta, de caminho para o Reino,
veio a ser interceptada por corsários ingleses que, levando-a à Inglaterra,
aconteceu de ser vertida e publicada em inglês por Richard Hakluyt numa obra
extremamente famosa e rara. Esta carta relata com detalhes um relevante
episódio dos primórdios da colonização da Paraíba, ou seja, um poderoso ataque
de uma armada francesa que em 1597 foi repelida pela reação desassombrada do
até aqui anônimo e então Capitão do forte do Cabedelo, o qual pagou com a
própria vida o fato de ter conseguido tão valente façanha. Nos GRAVETOS DE
HISTÓRIA ... consegui demonstrar a identificação, sem sombra de dúvida, deste
incógnito herói da Paraíba, cujo nome sai agora em primeira mão, ou seja Capitão
Antonio Gonçalves Manaya, cujo posto veio a ser em seguida preenchido pelo
seu genro (casado com D. Maria Manaya), o futuro herói e não menos aguerrido Capitão
João de Mattos Cardoso e não “Francisco
Cardoso de Matos”, como tem sido infelizmente chamado de forma
estropiada ao longo de sucessivas reimpressões de uma conhecida obra didática
sobre a Paraíba. Aquela carta que, a seu turno, também não
revela o nome do falecido Capitão do forte do Cabedelo, receu em inglês o
título de “A speciall letter written
from Feliciano Cieza [sic, leia-se “Coelho”] de Carvalsho [sic,
leia-se “Carvalho”] the Governor of Parajua [“Paraíba”] in the most Northerne part of Brasil, [20, August], 1597, to Philip the second King of Spaine,
answering his desire touching the conquest of Rio Grande [do Norte], with the relation of the besieging of the
Castle of Cabodelo [“Cabedelo”] by the frenchmen, and of the discoverie of a
rich silver mine diverse other important matters”. A
monumental obra de Richard Hakluyt onde este documento foi inserido, já então
em segunda edição, tem o seguinte título: THE PRINCIPAL NAVIGATION, VOIAGES,
TRAFFIQVES AND DISCOUERIES OF THE ENGLIS NATION,MADE BY SEA OR OUER-LAND, TO
THE REMOTE, AND FARTHEST DISTANT QUARTERS OF THE EARTH, AT ANY TIME WITHIN THE
COMPASSE OF THESE 1500, YEERES [2. ed., London, 1598-1600, 3 v.; 3. ed.,
Londres, 1812; 4. ed., Edinburgh, 1885; 5. ed.,Glasgow, 1904; 6. ed., London,
1928]. Existe ainda uma edição da mesma
carta do Governador Feliciano Coelho de Carvalho vertida para o idioma francês
e publicada por Paul Louis Jacques Gaffarel em HISTOIRE DU BRÉSIL FRANÇAIS AU
SEIXIÈME SIÈCLE, obra esta que por motivos, no mínimo curiosos, tanto quanto eu
saiba, ainda não foi traduzida para o português [1. ed., Paris, 1878]. Não posso também deixar de
assinalar aqui a CORRESPONDENCIA DE DIOGO BOTELHO (GOVERNADOR DO ESTADO DO
BRAZIL) (1602-1608) publicada no início deste século que se finda [1. ed., 1910] que governou esta Colônia fixando
residência na vila de Olinda, Capitania de Pernambuco, correspondência esta
coligida na Torre do Tombo, em cópia paleográfica, e publicada pelo Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro. Neste acervo muitas notícias bastante
valiosas e de particular interesse para a Paraíba no período em tela podem ser aí encontradas, entre as quais a da
extinção do forte do Inobi em 1603, por se mostrar completamente supérfluo
àquela altura, já que a margem esquerda do rio Paraíba não sofria mais a ameaça
dos potiguara, já reduzidos desde 1599. Também não posso omitir o registro
da RELAÇÃO DE AMBRÓSIO DE SIQUEIRA (1605) DA RECEITA E DESPESA DO ESTADO DO
BRASIL [1. ed., 1977], documento publicado há pouco mais de duas décadas e que
possui informações preciosas para a Capitania da Paraíba, particularmente do
governo de Feliciano Coelho de Carvalho. De capital interesse para o
período que estou aqui enfeixando é preciso assinalar duas obras que hoje em
dia, depois das sólidas argumentações do mestre José Antônio Gonsalves de Mello
(Neto) em 1984, devem ser atribuídas sem receio ao mesmo autor, o Sargento-mor
da Costa do Brasil Diogo de Campos Moreno, apesar de até então, a segunda
dentre elas ter precisado figurar sob a condição de autoria proposta,
embora de muito elevada probabilidade. Esta segunda obra, redigida “em 1612 ou, no máximo, no ano de 1613”,
segundo Helio Vianna, cujo texto, ainda manuscrito, sofreu várias alterações
entre 1625 e 1627, é a mais conhecida delas e tem um capítulo referente à
Capitania da Paraíba, onde o autor oferece valiosas informações coevas sobre a
nossa terra. No manancial desta obra, quando ainda manuscrita, muito se
abeberou o historiador Francisco Adolpho Varnhagen no ano de 1839. Sua primeira
publicação integral foi feita há não muitos decênios em terra estranha (Estados
Unidos) pelo benemérito Engel Suiter, tendo que se esperar mais meia década
para que a primeira publicação integral (e crítica) brasileira fosse dada a
lume por Helio Vianna. Estou falando do LIVRO QUE DÁ RAZÃO DO ESTADO DO BRASIL
– 1612 [1. ed., 1949; 2. ed., 1955; 3. ed., 1968]. Já a primeira das duas obras
de Diogo de Campos Moreno a que me reportei acima, a meu ver a mais importante
para o nosso caso e, seguramente, a menos conhecida e menos divulgada não
somente na HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA como também na HISTORIOGRAFIA DO BRASIL,
já que, ao que tudo indica, nem o enciclopédico historiógrafo José Honório
Rodrigues teve notícia dela, parece ser uma redação primitiva do LIVRO QUE DÁ
RAZÃO DO ESTADO DO BRASIL – 1612, porém, com texto independente e raramente
aproveitado nesta versão mais moderna. Neste texto mais antigo também se vêem
valiosíssimas informações sobre a Capitania da Paraíba, cujo capítulo tem a
enorme vantagem de arrolar os engenhos da Paraíba no ano de 1609, data
em que esta obra foi redigida. Estou falando da RELAÇÃO DAS PRAÇAS FORTES,
POVOAÇÕES E COUSAS DE IMPORTÂNCIA QUE SUA MAGESTADE TEM NA COSTA DO BRASIL,
FAZENDO PRINCÍPIO DOS BAIXOS OU PONTA DE SÃO ROQUE PARA O SUL DO ESTADO [do
Brasil] E DEFENSÃO DELAS, DE SEUS FRUITOS E RENDIMENTOS, FEIA PELO SARGENTO-MOR
DESTA COSTA [do Brasil] DIOGO DE CAMPOS MORENO NO ANO DE 1609, publicada há
apenas três lustros pelo Prof. José Antonio Gonsalves de Mello (Neto), que lhe
adicionou uma excelente introdução crítica [1. ed., 1984]. A propósito, com o
intuito de elucidar uma velha questão acerca dos primeiros engenhos de açúcar
desta antiga Capitania, publiquei há alguns meses o livro PÁGINAS DE HISTÓRIA
DA PARAÍBA – REVISÃO CRÍTICA SOBRE A
IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DOS DOIS PRIMEIROS ENGENHOS DE AÇÚCAR DA PARAÍBA [1.
ed;. João Pessoa, 1999], onde fica esclarecido que a segunda fábrica de açúcar
desta terra não se quedava, como se pensava, à margem do rio Tibiri e era, na
realidade, era o engenho de Santo André. Temos agora a comentar uma obra
sem autoria declarada, da mais alta importância tanto na Literatura Brasileira
quanto nas Letras Históricas do Brasil e que foi considerada por José Honório
Rodrigues como um dos doze maiores livros escritos sobre o Brasil no Período
Colonial, e que estava sendo redigido em 1618 na Capitania da Paraíba, onde o
seu mais do que provável autor, o cristão-novo
português Ambrósio Fernandes Brandão chegou a possuir três engenhos,
além de um outro na Capitania de Pernambuco. Estamos falando dos DIÁLOGOS DAS
GRANDEZAS DO BRASIL [cujas edições contendo os seus seis diálogos ou partes
são: 1. ed., Recife, 1886-1887 (em periódico); 2. ed., Rio de Janeiro, 1900 (em
periódico); 3. ed., Rio de janeiro, 1930 (ou 1. ed. independente em livro); 4.
ed., Rio de Janeiro, 1943 (2. ed. independente em livro); 5. ed., Salvador,
1956 (3. ed. independente em livro); 6. ed., Recife, 1962 (4. ed. independente
e a 1. ed. integral segundo o apógrafo de Leyden); 7. ed. Recife, 1966 (5. ed.
independente em livro e a 2. em ed. integral segundo o apógrafo de Leyden); 8.
ed., Rio de Janeiro, 1968 (6. ed. independente em livro); 9. ed. São
Paulo/Brasília, 1977 (7. ed. independente em livro);10. ed., Recife, 1999 (8.
ed. independente em livro). O autor desta obra mostra-se um
apologista da Capitania da Paraíba sobre o qual versa extensamente. Além disto
ele revela uma cultura muito acima da média do seu tempo. Acerca desta matéria,
publiquei há alguns anos uma plaqueta intitulada: LEVANTAMENTO DAS PUBLICAÇÕES
DOS DIÁLOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL
COM ALGUMAS NOTAS SOBRE O SEU MAIS DO QUE PROVÁVEL AUTOR [1. Ed., João Pessoa,
1994]. Cumpre ainda dizer, mais uma vez, que no ano de 1618 jamais existiu
uma edição dos DIÁLOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL, como tem sido erroneamente
divulgado em mais de uma obra paraibana. Esta data de 1618, não custa repetir,
corresponde ao ano em que estava sendo redigida esta obra que, aliás, só
começou a ver a letra de forma, ainda de maneira incompleta, no ano de 1849, no
mesmo periódico (ÍRIS) e pelo mesmo editor, José Feliciano de Castilho Barreto
e Noronha, que um ano antes havia publicado a primeira edição do SUMÁRIO DAS
ARMADAS. Em paralelo, diferentemente do que tem sido erroneamente divulgado
reiteradas vezes nesta terra, a edição de 1966 dos DIÁLOGOS DAS
GRANDEZAS DO BRASIL também não é a segunda edição, mas sim a nona
edição geral desta obra ou a sétima edição contendo os seis diálogos que
a compõem ou a quinta edição desta obra de forma independente (livro)
ou a segunda edição integral desta obra, segundo o apógrafo de Leyden,
mais completo que o apógrafo da Biblioteca Nacional de Lisboa, que serviu para
outras edições. Existe ainda uma excelente relação
escrita em 1630 por um piloto português residente na Cidade Felipéia de Nossa
Senhora das Neves (atual Cidade de João Pessoa), a respeito da cabeça da
Capitania da Paraíba, relação esta que foi descoberta na Biblioteca Nacional de
Madrid por Francisco Adolpho Varnhagen, que se encarregou de publicá-la mais
tarde. Trata-se da DESCRIÇÃO DA CIDADE, E BARRA DA PARAHIBA DE ANTÕNIO
GONÇALVES PASCHOA, PILOTO NATURAL DE PENICHE, QUE HÁ VINTE ANNOS QUE RESIDE NA
DITA CIDADE [1. ed., Viena d’Áustria, 1871; 2. ed., Parahyba do Norte, 1911]. HISTORIOGRAFIA DA
PARAÍBA RELATIVA AO PERÍODO HOLANDÊS NO NORDESTE DO BRASIL Ao longo deste recorte temporal eu
não poderia me contentar, evidentemente, com a menção isolada à apenas uma
obra que representaria todo este período, qual seja uma bastante conhecida
relação de Elias Herckmans, a exemplo do que já tenho visto noutros estudos
historiográficos da Paraíba, mesmo porque não concordo com o fato de iniciar
esta fase da historiografia colonial da Paraíba com o citado escrito do “Poeta
Aventureiro”. Por outro lado, considero de boa
norma, tratando-se deste específico período, fazer confrontar, sempre que
possível, obras de autores do partido neerlandês a obras de autores do partido
ibero-brasileiro. Ademais, a rigor, o período holandês na Paraíba não começa
com o guante que eles impuseram a esta Capitania durante vinte anos a partir do
apagar das luzes de 1634. Começa, na verdade, nove anos antes disto, em 1625,
quando a esquadra holandesa de socorro à Bahia, comandada pelo General
Boudewijn Hendrick-zoon, tendo chegado ali tarde demais, retornou até a altura
da Baía da Traição na Capitania da Paraíba, onde fundeou a 21 de junho de 1625
para fazer aguada e tratar dos doentes que trazia a bordo, aí permanecendo até
01 de agosto de 1625 , tendo promovido não poucos estragos nesta terra mas
também com perdas sofridas. Esta arribada fez com que a Paraíba, depois da
Bahia, viesse a ser a primeira Capitania a sofrer as conseqüências das invasões
holandesas no Brasil, antes mesmo da Capitania de Pernambuco em 1630. De tudo
isto ocorrido em 1625 na Paraíba o padre Bartolomeu Guerreiro, S.J. (por sinal,
irmão biológico do padre Fernão Guerreiro, S.J., acima citado), do lado
português, deu bom testemunho na sua JORNADA DOS VASSALOS DA COROA PORTUGUESA [1.
ed., Lisboa, 1625; 2. ed., Rio de Janeiro, 1860; 3. ed., Rio de Janeiro, 1966].
Já do lado neerlandês este episódio (e tantos outros acontecidos até o ano de
1636), foi detalhadamente relatado, à luz de documentos oficiais, por Joannes
de Laet, na sua HISTÓRIA OU ANNAES DOS FEITOS DA COMPANHIA PRIVILEGIADA DAS
INDIAS OCCIDENTAIS DESDE O SEU COMEÇO ATÉ AO FIM DO ANNO DE 1636 POR JOANNES DE
LAET, DIRETOR DA MÊSMA COMPANHIA (Historie
Ofte Iaerlijck Verhael van de Varrichtinghen der Georctroyeerde Weft-indifche
Compagnie, Zedert haer Begin tot het eynde van’t jaer fefthien-hondert
fes-em-dertich; Begrepen in Derthien Boecken, Ende met verfcheyden koperen
Platen verciet:Befch-reven door IOANNES DE LAET Bewint-hebber der felber
Compagnie) [1. ed., Leyden, 1644; 2. ed., Rio de Janeiro, 1916-1625, 2 t.;
3. ed., Haia, 1931-1937, 4 v]. Desde muito cedo os “flamengos”
tiveram razoável conhecimento sobre a Paraíba através de inúmeros relatórios,
que se sucederam ao longo do tempo. Ao que parece, o mais antigo deles é de um
judeu-português estabelecido em Amsterdã, chamado José Israel da Costa, que
organizou uma relação de engenhos das Capitanias de Pernambuco, Itamaracá e
Paraíba (indicados apenas pelos nomes dos seus respectivos donos), no ano de
1623 (aparentemente mais tarde), a qual foi anexada a posteriori a um memorial apresentado aos Estados Gerais dos
Países Baixos, sob o título AÇÚCARES QUE FIZERAM OS ENGENHOS DE PERNAMBUCO, ILHA
DE ITAMARACÁ E PARAÍBA [ ed., Recife, 1968; 1. ed., Recife, 1981]. Por sua vez, ainda muito
precocemente surgiu uma MEMÓRIA APRESENTADA AOS SENHORES DO CONSELHO DESTA
CIDADE DE PERNAMBUCO, SOBRE A SITUAÇÃO, LUGARES, ALDEIAS E COMÉRCIO DA MESMA
CIDADE, BEM COMO DE ITAMARACÁ, PARAÍBA E RIO GRANDE [do Norte] SEGUNDO O
QUE EU, ADRIAEN VERDONCK, POSSO ME RECORDAR. ESCRITA EM 20 DE MAIO DE 1630 [1.
ed., Recife, 1901; 2. ed., Recife, 1949; 3. ed., São Paulo, 1977; 4. ed.,
Recife, 1981]. No início de dezembro de 1631 uma
poderosa armada neerlandesa, oriunda da Capitania de Pernambuco, que estava por
eles invadida desde 1630, sofreu um grande revés ao atacar a Capitania da
Paraíba com o objetivo de conquistá-la. Do lado holandês, entre as poucas
fontes ou obras básicas que registram este episódio, incluindo o texto acima
referido de Joannes de Laet, figura um importantíssimo livro escrito por
testemunha presencial do feito, o alemão Ambrósius Rischshoffer (natural de
Estrasburgo), que em português recebeu o título de DIÁRIO DE UM SOLDADO DA
COMPANHIA DAS ÍNDIAS OCCIDENTAIS (1629-1632), mas que em alemão chamou-se Brassiliannifchund Weft Indianifch Reiffe
Refchrelbung (ou, literalmente, Descrição
de Viagem ao Brasil e às Índias Ocidentais), [1. ed., Estrasburgo, 1677; 2.
ed., Recife, 1897; 3. ed., Haia, 1930; 4. ed., Recife,1977; 5. ed., São Paulo,
1978]. A este depoimento precioso do lado
holandês se contrapõe um outro, raríssimo, até agora inaproveitado, na prática,
na HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA e na HISTORIOGRAFIA DO BRASIL, também de testemunha presencial, porém do
lado português, cujo autor é frei Paulo do Rosário, O.S.B. (natural da Cidade
do Porto), e cuja obra valiosíssima estou republicando em edição crítica. Seu
título é RELAÇAM BREVE, E VERDADEIRA DA MEMORAVEL VICTORIA, QUE OUUE O CAPITÃO
MÔR DA CAPITANIA DA PARAIBA ANTONIO DE ALBUQUERQUE, DOS REBELDES DE OLANDA, QUE
FAÕ VINTE NÁOS DE GUERRA, 7 VINTE 7 FETE LANÇCHAS; PRETENDERÃO OCCUPAR EFTA
PRAÇA DE FUA MAGETTADE, TRAZENDO NELLAS PERA O EFFEITO DOUS MIL HOMENS DE
GUERRA EFCOLHIDOS A FORA A GENTE DO MAR [1. ed., Lisboa, 1632]. A respeito da
importância desta obra na historiografia do período holandês no Brasil
publiquei, recentemente, uma plaqueta com o título O FRACASSO HOLANDÊS NA
CAPITANIA DA PARAÍBA EM 1631[1.ed., João
Pessoa,1998]. Também do lado português, dizendo
também respeito à Paraíba, serve como fonte básica para este e muitos outros
fatos relativos ao período holandês entre 1630 e 1638, uma obra da autoria de
Duarte de Albuquerque Coelho, publicada originalmente em espanhol, a qual,
pouco mais ou menos representa um contraponto daquela outra de Joannes de Laet,
cujo título no vernáculo é MEMÓRIAS DIÁRIAS DA GUERRA DO BRASIL: 1630-1638 (Memorias Diárias de la Gverra del Brasil.por
discvrso de nveve años, empeçando desde el de M.DC.XXX) [1. ed., Madrid,
1654; 2. ed., Rio de Janeiro, 1855; 3. ed., Recife, 1944; 4. ed., Recife,
1982]. Ainda do lado português também pode funcionar como uma referência básica
para a mesma matéria (e muitas outras relacionadas à Paraíba) a NOVA LUSITANIA
HISTORIA DA GUERRA BRASILICA do alentejano Francisco de Brito Freyre [1. ed.,
Lisboa, 1675; 2. ed., Recife, 1977]. Há quem veja esta obra de Francisco de
Brito Freyre, pelo menos em parte, influenciada pelo texto da obra anterior.
Outra obra básica do partido português é a HISTORIA DA GUERRA DE PERNANBUCO [1.
ed. integral, Recife, 1984] do portuense Diogo Lopes de Santiago, mestre de
Gramática em Pernambuco No texto ainda inédito desta obra muito se abeberou
(com pouco proveito) o vimaranense frei Raphael de Jesus, O.S.B., para redigir
o pouco apreciado CASTRIOTO LUSITANO [1. ed., Lisboa, 1679; 2. ed., Paris,
1844; 3. ed., Recife, 1979]. A fase nassovista do período
holandês (1637-1644) e que diz igualmente respeito à Capitania da Paraíba, tem
entre os principais atores do seu partido, Kaspar van Baerle, mais conhecido
pelo nome latinizado de Caspar Baleus ou, no vernáculo, Gaspar Barléu que
escreveu em latim (depois traduzido para o alemão, para o holandês e para o
português), uma importante obra, embora panegírica e elaborada sob encomenda do
próprio João Maurício, Conde Nassau-Siegen, cujo título para nós ficou sendo HISTÓRIA
DOS FEITOS RECENTEMENTE PRATICADOS DURANTE OITO ANOS NO BRASIL E NOUTRAS PARTES
SOB O GOVERNO DE WESEL, TENENTE-GENERAL DE CAVALARIA DAS PROVÍNCIAS-UNIDAS SOB
O PRÍNCIPE DE ORANGE (Casparis Balaei,
Rervm per octennivm in Brasília et
alibi nuper geftarum, Sub Praefectura Illftriffimi Comitis I. Mavritii,
Nassoviae, &c. Comitis, Nunc Vefallae Gubernatoris & Equitatus
Foederatorum Belfii Ordd. Fub Avriaco Ductoris, Historia) [1. ed.,
Amsterdam, 1647; 2. ed., Clèves, 1659; 3. ed., Clèves, 1660; 4. ed., Haia,
1923; 5. ed., Rio de Janeiro, 1940]. Outra obra do período holandês de
interesse para a Paraíba, embora precise ser lida com bastante cuidado em
certas passagens, tem por autor Johan Jacob Nieuhof, a qual em português
recebeu o nome simplificado de MEMORÁVEL VIAGEM MARÍTIMA E TERRESTRE AO BRASIL (Johan Neuhofs Gedenkweerdige Brasiiaense
Zee- em Lant-Reize. Behelzende Al het geen op dezenve is voorgevallen.
Beneffens Een bondige befchrijving van gantfch Nererlants Brasil, Zoo van
lantfchappen,fteden, dieren,gewaffen, ais draghten, zeden on godsdienft des
inwooders: En in zonderheit Een wijtloopig verhael der merkwaardigfte voovallen
en gefchiedeniflen, die zich, geduurende zijn negenjarigh verblijf in Brafil,
in d’oologen en opflant der Portugefer tegen d’ozen, zich federt het jaer 1640
tot 1649.) [1. ed., Amsterdam, 1682; 2. ed., London,
1703-1704; 3. ed., London, 1732; 4. ed., London, 1744; 5. ed., London, 1767; 6.
ed., Berlim, 1773; 7. ed., Amsterdam, 1786-1787; 8. ed., London, 1808-1814; 9.
ed., São Paulo, 1942; 10. ed., 1951; 11. ed., Belo Horizonte/São Paulo, 1981]. Entre os documentos holandeses
exclusivamente referentes à Paraíba temos o do Dr. Servaes Carpentier, cujo
título em português é RELATÓRIO SOBRE A CAPITANIA DA PARAÍBA EM 1635, PELO SR.
DR. SERVAES CARPENTIER, CONSELHEIRO POLÍTICO E DIRETOR DA MESMA CAPITANIA (Raport
van de Capitania Paraíba – 1635) [1. ed., Leyden, 1644; 2. ed., Rio de Janeiro,
1925; 3. ed., Haia, 1937; 4. ed., 1981; 5. ed., Campina Grande (PB), 1989], e o
relatório de Elias Herckmans que também foi Diretor da Capitania da Paraíba,
datado de 1639, cujo título em português é DESCRIÇÃO GERAL DA CAPITANIA DA
PARAIBA (Generale Beschrjvinge van de
Capitania Paraíba) [1. ed., Utrecht, 1879; 2. ed., Recife, 1886; 3. ed.,
Parahyba do Norte, 1910; 4. ed., João Pessoa, 1959-1964; 5. ed., João Pessoa,
1975; 6. ed., João Pessoa, 1982; 7. ed., João Pessoa, 1982; 8. ed., Recife,
1985; 9. ed., Campina Grande, 1989] Existem outros dois documentos
holandeses onde parte não negligenciável deles se refere à Paraíba. Um deles é
da autoria de Adriaen Jacobszoon van der Dussen, Alto e Secreto Conselheiro no
Brasil holandês, tendo sido terminado a 10 de dezembro de 1639 e cujo título em
português é RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DAS CAPITANIAS CONQUISADAS NO BRASIL,
APRESENTADO PELO SENHOR ADRIAEN VAN DER DUSSEN, AO CONSELHO DOS XIX NA CÂMARA
DE AMSTERDAM, EM 4 DE ABRIL DE 1640 [1. ed., Haia, 1923; 2. ed., Rio de
Janeiro, 1947; 3. ed., Recife, 1981]. O outro relatório, datado de 14 de
janeiro de 1638 mas certamente iniciado no ano anterior, vem assinado por João
Maurício, Conde de Nassau-Siegen, por Matias van Ceulen e por Adriaen
Jacobszoon van der Dussen, embora, ao que tudo indica, este último tenha sido o
principal responsável pela sua redação. Seu título em português é BREVE
DISCURSO SOBRE O ESTADO DAS QUATRO CAPITANIAS CONQUISTADAS, DE PERNAMBUCO, ITAMARACÁ,
PARAÍBA E RIO GRANDE (do Norte), SITUADAS NA PARTE SETENTRIONAL DO BRASIL [1.
ed., Utrecht, 1879; 2. ed., Recife, 1887; 3. ed., Recife, 1981]. A propósito dos últimos tempos do
domínio holandês no Brasil e também interessando à Paraíba deve-se citar aqui
uma obra originalmente impressa na Cidade de Paris, em francês, da autoria de
Pierre Moreau (HISTOIRE DES DERNIERS TROUVBLES DV BRESIL, ENTRE LES HOLLANDOIS
E LES PORTVGAIS, PAR PIERRE MOREAV, NATIF DE LA VILLE DE PARREY EM CHAROLLOIS),
a qual, em várias edições vem sendo publicada juntamente com uma relação de
Roulox Baro sobre os índios tapuias (RÉLATION DV VOYAGE DE ROVIOX BARO...),
traduzida do holandês para o francês pelo próprio Pierre Moreau, a que se segue
um escrito adicinal da autoria de Claude Barthélemy Morisot sobre a relação
precedente de Roulox Baro (REMARQUES DV SIEVR [Claude Barthélemy] MORISOT SVR
LE GOYAGE DE ROVLOX BARO AU PAYS DE TAPUIES). Em português existem edições
tanto com os dois primeiros escritos quanto com todos os três e no Brasil seu
último título ficou sendo HISTÓRIA DAS ÚLTIMAS LUTAS NO BRASIL ENTRE HOLANDES E
PORTUGUESES E RELAÇÃO DA VIAGEM AO PAÍS DOS TAPUIAS[1. ed., Paris, 1651; 2.
ed., Amsterdam, 1652; 3. ed., Rio de Janeiro, 1923; 4. ed., Belo Horizonte/São
Paulo, 1979]. Sobre a capitulação holandesa e
também dizendo respeito à Paraíba a anônima RELAÇAM DIARIA DO SÍTIO, E TOMADA
DA FORTE PRAÇA DO RECIFE, RECUPERAÇÃO DAS CAPITANIAS DE ITAMARACÁ, PARAÍBA, RIO
GRANDE [do Norte], CIARÁ & ILHA DE FERNAÕ DE NORONHA, POR FRANSIFCO BARRETO
MEFTRE DE CAMPO GENERAL DO EFTADO DO BRAFIL, 7 GOUVERNADOR DE PERNAMBUCO [1.
ed., Lisboa, 1654; 2. ed., Rio de Janeiro, 1889; 3. ed., Recife, 1979],
geralmente atribuído ao Dr Antônio Barbosa Bacelar. Há ainda uma obra do Século XIX de
particular interesse para o período holandês na Paraíba, da autoria do
historiador sorocabano Francisco Adolpho Varnhargen, cujo título é HISTORIA DAS
LUTAS COM OS HOLLANDEZES NO BRASIL DESDE 1624 A 1654 [1. ed., Vienna d’Áustria,
1871; 2. ed., Lisboa, 1874; 3. ed., São Paulo, 1943; 4. ed., São Paulo, 1945;
5. ed., Salvador, 1955]. Já no Século XX temos inúmeras
obras de valor porém me limitarei apenas a duas que também dizem respeito à
Paraíba e são de fundamental importância para o domínio holandês no Brasil. Uma
delas é da autoria do Prof. José Antonio Gonsalves de Mello (Neto), cujo título
é TEMPO DOS FLAMENGOS: INFLUÊNCIA DA OCUPAÇÃO HOLANDESA NA VIDA E NA CULTURA DO
NORTE DO BRASIL [1. ed., Rio de Janeiro, 1947; 2. ed., (1ª tiragem), Recife,
1978; 2. ed., (2ª tiragem), Recife, 1979; 2. ed., (3ª tiragem), 1979; 3. ed.,
Recife/Brasília, 1987]. A outra tem como autor Frans Leonard Schalkwijk e seu
título é IGREJA E ESTADO NO BRASIL HOLANDÊS: 1630-1654, cujo prefácio é do
Prof. José Antonio Gonsalves de Mello (Neto) [1. ed., Recife, 1986]. A PARAÍBA NA
HISTORIOGRAFIA GERAL DO BRASIL A PARTIR DO SÉCULO XVI ATÉ A SEGUNDA METADE DO
SÉCULO XX Já é hora de volver minha atenção
para algumas outras obras deste específico recorte cronológico em questão, as
quais poderiam também ser rotuladas como tratados de história e crônicas
gerais sobre o Brasil. A mais antiga delas para a HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA
é a obra enciclopédica de Gabriel Soares de Souza, natural de Portugal, dada ao
público em letra de forma, sob a forma mais completa possível, pelo ilustre
historiador sorocabano Francisco Adolpho
de Varnhagen, a quem a HISTORIOGRAFIA DO BRASIL muito deve, também neste
particular, por ter ele conseguido editar este livro após esclarecer-lhe a
autoria, analisar-lhe o texto e fixá-lo definitivamente através do estudo de
muitos dos seus códices existentes em vários países, atribuindo-lhe uma data de
redação, atribuindo-lhe não somente um título geral, bem como atribuindo-lhe
uma data de redação, ou seja, o ano de 1587 (aliás, o eminente médico e
historiador Manuel Augusto Pirajá da Silva, que também editou esta obra, não
concordou nem com aquele título nem com a aposição daquela data agregada ao
título geral). Sem contar as publicações muito incompletas desta obra, anteriores
ou posteriores ao Barão e Visconde de Porto Seguro, as edições segundo a
proposição de Francisco Adolpho de Varnhagen têm o título de TRATADO
DESCRIPTIVO DO BRAZIL EM 1587, OBRA DE GABRIEL SOARES DE SOUZA, SENHOR DE
ENGENHO DA BAHIA, N’ELLA RESIDENTE DEZESSETE ANNOS, SEU VEREADOR DA CAMARA,
ETC. [Rio de Janeiro, 1851; Rio de Janeiro, 1879; Rio de Janeiro, 1886; Rio de
Janeiro, 1938; Madrid, 1958; Rio de Janeiro, 1971; Rio de Janeiro, 1973; Rio de
Janeiro, 1987]. Desta mesma obra, também com seu
texto integral ou, melhor dizendo, o recuperado por Francisco Adolpho de
Varnhagen, surgiram várias edições com o título de NOTÍCIA DO BRASIL [São
Paulo, 1948; São Paulo, 1951; São Paulo, 1974; São Paulo, 1974]. Nesta obra
ciclópica de Gabriel Soares de Souza é preciso, entretanto, ler com bastante
cuidado a parte que toca à Paraíba, particularmente o seu “CAPÍTULO XII”, onde o autor (proveniente da Bahia, encontrava-se no
Reino desde 1584), deu algumas informações incorretas sobre o que lá tinha
acontecido recentemente nas lutas de conquista da Paraíba, notícias estas
certamente colhidas de segunda mão a partir de algum navegante vindo do Brasil
e que teria então chegado a Madrid. Eis que é chegada a hora de falar
sobre o “Heródoto brasileiro” e sua imprescindível obra histórica concluída em
1627, ou seja, Frei Vicente do Salvador, O.F.M. (natural da Bahia), e sua HISTÓRIA
DO BRASIL [cujas edições contendo os seus cinco livros ou partes são: 1. ed.,
Rio de Janeiro, 1889; 2; ed., São Paulo, 1918; 3. ed., São Paulo, 1931; 4. ed.,
São Paulo, 1954; 5. ed., São Paulo, 1965; 6. ed., São Paulo/Brasília, 1975; 7.
ed., Belo Horizonte/São Paulo, 1982]. Antes de vestir o hábito de São
Francisco, em 1599, e professado a Ordem Franciscana no dia 30 de janeiro de
1600, frei Vicente do Salvador, O.F.M., havia estudado na Universidade de
Coimbra, onde se doutorou in utroque jure,
retornando à Bahia em 1587, onde tomou as ordens sacerdotais (clero secular),
razão pela qual ele jamais “foi
testemunha ocular da conquista da Paraíba”, como se lê de forma
abstrusa em diversas tiragens determinada obra didática sobre a Paraíba.
Somente em torno de 1603 ou pouco mais tarde é que o “Heródoto brasileiro”
esteve missionando índios nesta terra. Foi com sua experiência pessoal e,
principalmente, com o texto manuscrito do SUMÁRIO DAS ARMADAS à vista (além de
outra fonte, hoje desconhecida, eventualmente consultada), é que frei Vicente
do Salvador, O.F.M., versou sobre a Paraíba. Aliás, como afirmei nos GRAVETOS
DE HISTÓRIA... . “Na verdade não há um
só capítulo do SUMÁRIO DAS ARMADAS cujo texto não tenha sido aproveitado, ao
menos em parte, na redação da HISTÓRIA DO BRASIL do franciscano baiano”.
Diga-se ainda que a Paraíba foi extremamente bem aquinhoada pelo “Heródoto
brasileiro” na sua HISTÓRIA DO BRASIL. Basta que se leia o “Capítulo Vigésimo Quarto” do seu
“Livro Terceiro”. Ademais, no
seu “Livro Quarto” este autor
trata da Paraíba desde o “Capítulo
Terceiro” até o “Capítulo
Décimo Sexto”, além do “Capítulo
Vigésimo Segundo”, do “Capítulo
Vigésimo Quinto” ao “Capítulo
Trigésimo Terceiro” (Estão infelizmente perdidos os textos do “Capítulo Vigésimo Sexto” ao “Capítulo Vigésimo Nono” e a parte
inicial do “Capítulo Trigésimo”,
o “Capítulo Trigésimo Sétimo”,
o “Capítulo Trigésimo Nono”, o
“Capítulo Quadragésimo Primeiro”,
e o Quadragésimo Terceiro”.
Frei Vicente do Salvador, O.F.M., havia escrito antes, em 1618, uma outra obra,
a CRÔNICA DA CUSTÓDIA DO BRASIL, hoje infelizmente perdida, em que certamente
também versou sobre a Capitania da Paraíba. De qualquer forma, Frei Manuel da
Ilha, O.F.M., conheceu e aproveitou
esta obra para redigir a sua CRÔNICA DA CUSTÓDIA DE SANTO ANTÔNIO DO
BRASIL: 1584/1621. Ainda dizendo respeito à HISTÓRIA DO BRASIL do “Heródoto
brasileiro” faz-se necessário assinalar aqui, movido pela constatação do que
existe de melhor na moderna historiografia paraibana, um excelente trabalho do
eminente Prof. José Pedro Nicodemos intitulado A CONTRIBUIÇÃO HISTORIOGRÁFICA
DE FREI VICENTE DO SALVADOR [1. ed., João Pessoa, 1971], cujo valor
historiográfico, muito menos exaltado do que bem merece, só se rende para os
extraordinários “Prolegômenos” com que o mestre Capistrano de Abreu enriqueceu
a nossa primeira História do Brasil escrita por um nativo da terra. Desta
maneira, a HISTORIOGRAFIA DA PARAIBA e a HISTORIOGRAFIA DO BRASIL, lhe
agradecem penhoradamente, caro Prof. José Pedro Nicodemos. Depois de frei Vicente do
Salvador, O.F.M., o primeiro nativo deste País a escrever uma História do
Brasil, foi preciso se esperar aproximadamente o transcurso de um século
para que surgisse uma nova obra histórica geral do Brasil e, portanto,
também contemplando a Capitania da Paraíba.
Aqui eu me limitarei simplesmente
a registrar as obras mais significativas através de suas edições completas,
tais como a HISTÓRIA DA AMERICA PORTUGUESA, por Sebastião da Rocha Pitta; O
NOVO ORBE SERAFICO BRASILICO, por Antônio de Santa Maria Jaboatão; DESAGRAVOS
DO BRASIL E GLORIAS DE PERNAMBUCO, por D. Domingos do Loreto Couto;
NOBILIARCHIA PERNAMBUCANA, por Antonio José Victoriano Borges da Fonseca, que é
livro de Genealogia e de História, como o é os DESAGRAVOS DO BRASIL E GLÓRIAS
DE PERNAMBUCO; COROGRAFIA BRASÍLICA, do padre Manuel Ayres de Casal; HISTÓRIA
MILITAR DO BRASIL, desde o ano de 1549, de José Mirales; HISTÓRIA DO BRASIL,
Robert Southey; HISTÓRIA DO BRASIL ANTES DE SUA SEPARAÇÃO E INDEPENDENCIA DE
PORTUGAL, do Visconde de Porto Seguro; HISTÓRIA DO BRASIL, de Henrich
Handelmann; CHRONICA GERAL DO BRAZIL, pelo Dr. Mello Moraes; COMPENDIO DE
HISTORIA DO BRASIL, do Padre Raphael Maria Galanti; HISTORIA DO BRAZIL
(ILUSTRADA), de Rocha Pombo; CAPITULOS DE HISTORIACOLONIAL, de João Capistrano
Honório de Abreu; HISTORIA DO BRASIL, por Pedro Calmon; HISTORIA DO BRASIL, por
Helio Vianna. UM POUCO DA
HISTORIOGRAFIA GERAL E ESPECIAL DA PARAÍBA A PARTIR DO SÉCULO XVIII ATÉ O
TERCEIRO QUARTEL DO SÉCULO XX Arrolarei aqui, ao menos a título
de citação, algumas das principais obras básicas e específicas da e para
a HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA a partir do Século XVIII até o terceiro quartel do
Século XX. Começarei com a INFORMAÇÃO DADA A
SUA MAGESTADE PELO GOVERNADOR DA PARAHYBA DO NORTE FERNANDO DELGADO FREIRE DE
CASTRILHO A 9 DE JANEIRO DE 1799 ACÉRCA DE VARIOS OBJECTOS RELATIVOS À MESMA
CAPITANIA, pertencente ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi este documento que o
benemérito Irineu Ferreira Pinto veio a publicar em 1908 no v. I, p. 205-213
das suas DATAS E NOTAS PARA A HISTORIA DA PARAHYBA com o seguinte título por
ele próprio alterado: O Governador da
Capitania Fernando de Castilho presta a metrópole a interessante narração do
estado em que se acha a mesma capitania, importante documento de valor
histórico. Resta apenas saber se o texto aí contido corresponde de fato ao
documento intitulado Descripção da Capitania
da Parahyba do Norte, por Fernando Delgado Freire de Castilho. S.d., fls.
200 a 205 A, constante do volume 1º do “Catalogo da Collecção de Memórias e outros documentos contidos em 19 volumes
conservados na Secção Histórica do Archivo Nacional”. É até possível que
estejamos tratando do mesmo documento, entretanto, a HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA
não pode mais continuar com esta presunção de duzentos anos de idade, portanto,
antes que este ano se encerre desvendarei esta dúvida que outros mais
confiantes que eu parecem não tê-la, sem, todavia, haver realizado qualquer
pesquisa neste sentido. Subsídios importantes para a
História da Revolução de 1817, com ênfase para a Paraíba podem ser observados
numa raríssima obra do padre Joaquim Dias Martins intitulada MARTIRES
PERNAMBUCANOS VICTIMAS DA LIBERDADE NAS DUAS REVOLUÇÕES ENSAIADAS EM 1710 E
1817 (existe uma nova edição fac-similar moderna). Ainda sobre o mesmo tema, na parte
que toca também à Paraíba, deve ser mencionada aqui uma importante obra que,
principalmente na segunda edição, possui uma extensa introdução e notas do
historiador paraibano radicado em Pernambuco, o Dr. Maximiano Lopes Machado.
Trata-se da HISTORIA DA REVOLUÇÃO DE PERNAMBUCO EM 1817, pelo Doutor Francisco
Muniz Tavares. Ainda sobre o mesmo tema devemos assinalar o DIARIO DA REVOLUÇÃO
DE 1817, pelo Sargento-mór Francisco Ignácio do Valle. Cópia do original
existente no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi extraída pelo
sócio correspondente Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro oferecido ao nosso
Instituto. De grande interesse para a
História da Confederação do Equador (1824) na Paraíba são as OBRAS POLITICAS E
LITTERARIAS DE FREI JOAQUIM DO AMOR DIVINO CANECA Collecionadas pelo
Commendador Antonio Joaquim de Mello em virtude da Lei Provincial Nº 900 de 25
de Junho de 1869 mandadas publicar pelo Exm. Sr. Commendador Presidente da
Província Desembargador Henrique Pereira de Lucena, em cujo “Appendice
Constantge de Notas” existem valiosos relatos fidedignos até agora
praticamente inaproveitados. Outro importante depoimento de um
paraibano, então ainda jovem revolucionário da Praieira, no caso, Maximiano
Lopes Machado, é o QUADRO DA REVOLTA PRAIEIRA NA PROVINCIA DA PARAHYBA, cuja
primeira edição é extremamente rara. Temos ainda a excelente CHOROGRAPHIA
DA PROVINCIA DA PARAHYBA DO NORTE, por Henrique (Pedro Carlos) de Beaurepaire
Rohan, a qual, tendo sido concluída em 1861, somente veio a ser publicada meio
século mais tarde, uma única vez e, assim mesmo, não em livro, mas em periódico. Outra obra muito interessante, de
autor paraibano, e que bem revela a sua competência é a MONOGRAPHIA DA CIDADE
DA PARAHYBA DO NORTE, CAITAL DA PROVINCIA DO MESMO NOME, por Vicente Gomes
Jardim, agrimensor dos terrenos da Marinha da mesma Província. De qualquer estudo historiográfico
da Paraíba não pode deixar de figurar as excelentes NOTAS SOBRE A PARAHYBA, por
Irinêo Ceciliano Pereira Joffily, paraibano que, para dá-la à luz em letra de
forma, recebeu o estímulo entusiasmado e o prefácio competente do mestre João
Capistrano Honório de Abreu. Ainda do mesmo autor e de relevante merecimento
para esta terra é a SYNOPSIS DAS SESMARIAS DA CAPITANIA DA PARAHYBA.
COMPREHENDENDO O TERRITORIO DE TODO O ESTADO DO MESMO NOME E PARTE DO RIO
GRANDE DO NORTE. É de se lamentar que este opúsculo raro e de capital
importância para a Paraíba tenha caído no esquecimento e jamais tenha sido
reeditado. Enquanto isto, vemos tantas outras obras de valor e prioridade
discutíveis sendo reimpressas pelo poder público. Outro trabalho que merece sempre
ser lembrado é a MEMORIA SOBRE OS MELHORAMENTOS DE QUE PRECISA A PROVINCIA DA
PARAHYBA, pelo engenheiro de Minas, Dr. Francisco Soares da Silva Retumba. Quanto à sua importância, o mesmo
pode ser dito da obra máxima (e póstuma) do paraibano radicado em Pernambuco,
Maximiano Lopes Machado, ou seja, a HISTORIA DA PROVINCIA DA PARAHYBA, que na
sua editio princeps recebeu o
prefácio de João de Lyra Tavares e, na edição subseqüente um também alentado
estudo introdutório do Prof. José Octávio de Arruda Mello. A seguir, temos outra obra de
excelente jaez, cuja apresentação (“Duas Palavras”) do autor, também paraibano,
prenuncia suas qualificações de privilegiado garimpeiro de fontes históricas.
Seu título é DATAS E NOTAS PARA A HISTORIA DA PARAHYBA, por Irineu Ferreira
Pinto, sócio fundador e Bibliotecário do Instituto Histórico e Geográfico
Paraibano, cuja edição ficou enriquecida com um estudo introdutório do Prof.
José Pedro Nicodemos. Deste mesmo eminente historiador paraibano tem sido pouco
lembrados, ultimamente, outros importantes trabalhos seus como A INSTRUCÇÃO
PÚBLICA NA PARAHYBA. APONTAMENTOS PARA A SUA HISTORIA ou ainda ALGUMAS NOTAS
PARA A HISTORIA DA ORDEM 3.ª DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO DA CIDADE DA
PARAHYBA. De particular interesse para o
Estado são os APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA TERRITORIAL DA PARAHYBA por João de
Lyra Tavares que, ao coligir em súmulas todos os documentos públicos aí dados à
estampa, realizou um trabalho monumental. Esta obra mereceu nos anos sessenta
um laborioso índice levantado por Genny da Costa e Silva, com uma introdução do
Prof. José Antonio Gonsalves de Mello (Neto), sob o título de SESMEIROS DA
PARAÍBA. A propósito, sobre a primeira data de terra concedida em sesmaria na
Capitania da Paraíba publiquei há alguns anos uma plaqueta sob o título JOÃO
AFONSO PAMPLONA – A RESTITUIÇÃO DO NOME DAQUELE QUE FOI O PRIMEIRO PROPRIETÁRIO
DE TERRAS NA CAPITANIA DA PARAÍBA. Também não se pode deixar de
registrar aqui, por suas sobejas qualidades, a excelente obra do areiense José
Américo de Almeida, A PARAHYBA E SEUS PROBLEMAS. Chegando já ao fim deste esboço
historiográfico é preciso assinalar, do areiense Horácio de Almeida, um dos
maiores historiógrafos deste Estado, a sua HISTÓRIA DA PARAÍBA, saída
inicialmente de forma incompleta e depois em edição integral com revisão e
ampliação do texto já anteriormente publicado. Agora, para encerrar esta
exposição, aproveito a ocasião para prestar o meu respeito e consideração a
todos os consócios deste Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP),
tanto os do passado quanto os do presente, nascidos ou não neste Estado, os
quais, cada um à sua maneira, contribuíram e vêm contribuindo efetivamente para
HISTORIOGRAFIA DA PARAÍBA. · · · A fala do Presidente: Conforme vimos, o alentado
trabalho que o Guilherme d’Avila Lins nos traz é da mais alta significação e
ele muito inteligentemente abordou apenas até ao primeiro quartel do século
passado, sem falar nos atuais historiadores, até porque a gente só enaltece o
historiador quando ele morre. Mas, ainda assim, ele fez uma referência de
passagem sobre os atuais sócios do Instituto. Como debatedor designado, e como
vocês já me conhecem, fica dispensada minha auto-apresentação. Assim, passo
imediatamente a exercer minha missão. Debatedor: Luiz Hugo Guimarães (Membro do Instituto Histórico, e seu atual
Presidente) Como debatedor, minha participação
é mais suave, e tentarei evitar a precisão de datas e fontes que foram muito
bem postas pelo nosso expositor. Sabemos que num discurso sobre historiografia
temos que fazer, como muito bem fez
Guilherme d’Avila Lins. Sei que no plenário há alguns
participantes que estão ouvindo a palavra historiografia pela primeira vez. E o
que é historiografia? A
historiografia é a arte de escrever a história. É o estudo histórico e crítico
acerca da história e dos historiadores. Na
dimensão do processo histórico, sujeito é quem faz a história, ou seja, é
quem realiza as ações; na dimensão da ciência da história, sujeito é quem produz o conhecimento. Está aí o
historiador. Pela
conceituação de Aurélio, a história é a narração metódica dos fatos notáveis
ocorridos na vida dos povos, em particular, e na vida da humanidade, em geral. Não sou
historiador. Maximiano Machado também não era, mas se tornou,
autodidaticamente. Irineu Joffily, Irineu Ferreira Pinto, também não eram. Não
tinham títulos oficiais dessa categoria.
Mas no momento em que a pessoa se afirma examinando documentos e ouvindo
relatos ela começa a tornar-se um historiador. O historiador focaliza os
fazedores da história, os que por suas ações geram os acontecimentos. A
apreciação dos agentes da história ou os episódios por eles gerados nos tornam
um historiador, pois, na dimensão da ciência da história, essas pessoas passam
a produzir o conhecimento histórico. É o historiador. Um dos
pontos marcantes deste Ciclo de Debates, em boa hora iniciado pelo Instituto,
foi a descoberta de grandes vazios na nossa historiografia. Expositores,
debatedores e participantes do Ciclo fizeram indicações importantes sobre um vazio detectado na nossa
historiografia. Episódios importantes da história paraibana ainda jazem
sepultados no esquecimento, virgens de uma apreciação crítica. Alguns desses
episódios estão adormecidos pela falta de interesse dos estudiosos, outros pela
ausência de fontes primárias, ainda não ao nosso dispor. O Ciclo de Debates
espicaçou a nossa curiosidade, estabeleceu desafios, e estou certo de que
iniciaremos uma nova etapa na busca de nossa expansão historiográfica. O que
temos visto, conforme acentuou e explicitou nosso expositor desse tema, o
historiador Guilherme Gomes da Silveira d’Avila Lins, é uma razoável massa de
informações sobre a Província da Paraíba, particularizada nas ocorrências da
sua capital, quando ela representou a Província durante anos, conforme a
listagem por ele oferecida de obras em que viajantes, religiosos e
historiadores narraram em cartas, relatórios e trabalhos os acontecimentos
provinciais, desde a sua conquista. Quanto às coisas da Província-Capital, estamos
relativamente abastecidos. Foi o que demonstrou o historiador Guilherme d’Avila
Lins em sua brilhante exposição. Como
presidente do Instituto, pude examinar a carência relativa da falta da nossa
história municipal. Encetei uma campanha junto às prefeituras municipais do
Estado – agora são 223 municípios –, sugerindo
que se fizesse alguma coisa para o levantamento da história de cada
município. Sugeri até a criação de um Núcleo Histórico e Geográfico no âmbito
das Secretarias da Educação de cada município, constituída pelo próprio
Secretário, por Diretores de Grupos e Colégios, por intelectuais, pelo padre da
freguesia, pelos vereadores, etc. Não haveria ônus para a Prefeitura, a não ser
o oferecimento do local de reuniões, papel, lápis e um cafezinho. O Prefeito de
Lucena, David Falcão, imediatamente baixou um Decreto organizando um Núcleo com
aquele objetivo. E a história já está pronta, só falta publicá-la. Colocamos à disposição dos prefeitos municipais nosso Instituto,
oferecendo um apoio logístico, porque financeiro não temos condições. Editei
um trabalho relacionando os municípios sobre os quais já há alguma coisa
escrita, o qual foi distribuído com os presentes. Não é uma relação completa,
mas dá uma dimensão das nossas carências. O levantamento foi feito com base nos
trabalhos existentes no Instituto e nas informações historiográficas de Horácio
de Almeida, Idelete, Waldemar Duarte, e outros. Está incompleto, porque a cada
dia estão aparecendo novos trabalhos sobre cidades paraibanas. Intitulado
HISTORIOGRAFIA MUNICIPAL DA PARAÍBA, estou distribuindo com os participantes do
Ciclo de Debates um exemplar do trabalho levantado, para receber mais informes
sobre a produção histórica dessa área a fim de completar o levantamento feito. Nem
precisa dizer a importância da feitura dos trabalhos sobre cada município, pois
com o levantamento da história de cada
um poderemos melhor construir a história completa da Paraíba. A história do
Estado tem que ser como um todo, envolvendo os acontecimentos de todas a
regiões, de Cabedelo a Cajazeiras. A
professora Joana Neves tem um interessante trabalho intitulado HISTÓRIA LOCAL E
CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SOCIAL, publicado na Revista Saeculum n.º 3, que vale a pena ser compulsado, para
facilitar a pesquisa dos trabalhos das diversas comunidades interioranas. No
momento em que o interessado começar a levantar dados sobre sua comunidade, ele
está começando a fazer história. A pesquisa deverá ser feita em cima dos
acontecimentos dignos de nota ocorridos desde a fundação do povoado, vila ou
cidade; as famílias dos fundadores serão personagens importantes na pesquisa da
formação do burgo (e aí a Genealogia entra como ciência auxiliar); a política,
a economia, as artes, etc. darão a configuração histórica da história local,
com sua identidade própria. Nossa
preocupação pela formação da história municipal do interior é prioritária. Tem
sido um dos pontos marcantes do nosso Ciclo, levantando para os participantes
essa problemática da nossa historiografia. Precisamos fazer uma História da
Paraíba completa e para a construção duma história atual teremos que fazer esse
levantamento, essa pesquisa nos municípios. A
capital do Estado, desde Felipéia a João Pessoa, já tem um razoável número de
trabalhos. Também distribui uma relação listando alguns trabalhos sobre a
capital. Diariamente temos recebido aqui no Instituto Histórico pesquisadores
agora voltados para o levantamento dos bairros e das ruas da capital. A cidade
de João Pessoa cresceu tanto nesses 20 anos, que é preciso dimensioná-la,
atualizando-a. Nós
temos oferecido a esses estudiosos e pesquisadores todo o nosso apoio e os
estimulamos para que sejam feitos esses trabalhos. Sobre
ruas, recentemente foram publicados dois trabalhos por parte de nossos
associados. Um deles foi RUAS DE TAMBAÚ, do historiador Deusdedit Leitão; outro
foi AS RUAS ONDE MOREI – 1918-1930, da confreira Carmen Coelho de Miranda
Freire. Estou sabendo que Natércia Suassuna Ribeiro Coutinho está concluindo um
trabalho muito vasto sobre as ruas da capital, com cerca de 800 páginas. Posse
registrar aqui a listagem que levantei sobre alguns trabalhos que enfocam a
nossa capital, como indicativo para consulta. Registraremos à parte uma lista
de autores e obras. Também
incluímos no tema em debate nossos historiadores, alguns dos quais foram
mencionados pelo expositor Guilherme d’Avila Lins. Mas o tempo se tornou exíguo
para esse exame. Mas
quero lembra que o Instituto Histórico teve a iniciativa de criar uma Coleção
de Historiadores Paraibanos, publicando monografias sobre os principais
historiadores da nossa terra. Já temos lançados 10 plaquetas, que colocamos à
disposição dos participantes, ao preço de R$ 3,00 cada. Os
trabalhos já publicados são os seguintes, com seus autores: Maximiano Lopes Machado – Luiz Hugo
Guimarães Coriolano de Medeiros –
Deusdedit de Vasconcelos Leitão José Américo de Almeida – Joacil
de Britto Pereira Horácio de Almeida –
Amaury Vasconcelos Elpídio Josué de Almeida –
Fernando Melo do Nascimento Ademar Vidal – José Octávio de Arruda
Mello José Leal – Balila Palmeira Manuel Tavares Cavalcanti –
Marcus Odilon Irineu Joffily – Diana Soares de Galizza Celso Mariz – Dorgival Terceiro Neto Estão
programadas mais duas monografias, uma sobre Irineu Ferreira Pinto, a cargo de
Humberto Cavalcanti de Mello e outra sobre o Cônego Francisco Lima, a cargo de
Waldice Mendonça Porto. A
repercussão dessa Coleção tem sido tão favorável, que a Diretoria resolveu
continuá-la e já estão listados os nomes dos historiadores Epaminondas Câmara,
Heliodoro Pires, Luís Pinto, Humberto Nóbrega, Antônio Rocha Barreto, entre
outros. ANDRADE, Ana Helena Ferreira de; GARCIA, Patrícia Maria
Granville. (Tese). A Evolução urbana de João em Pessoa
em função do sistema de transporte
urbano: O Bonde. João Pessoa, s/ed.1987. AGUIAR, Wellington. Cidade
de João Pessoa: A Memória do Tempo.
Ed. Persona, 1992. Em parceria com
MELLO, José Octávio de Arruda Uma Cidade de Quatro Séculos. Campina Grande, Grafset, 1985. BARBOSA, Florentino. Monumentos Históricos e Artísticos da
Paraíba. J. Pessoa. A União Editora, 1953. BATISTA, Juarez. Caminhos, Sombras, Ladeiras: esboço de papel
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brasileiro. João Pessoa. A União, 1989. CAVALCANTI, Archimedes. A Cidade da Paraíba na Época da Independên cia. João
Pessoa. A União. FARIAS, Orion. Paraíba ontem e hoje. João Pessoa.
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Rio de Janeiro. Ed. Bloch, 1991. RODRIGUES, Janete Lins;
DROULERS, Martine. João Pessoa:
Crescimen- to de
uma Capital. João Pessoa. s/ed. 1981. ___________, Walfredo. Dois Séculos da Cidade: Passeio
retrospectivo –
1870-1930. João Pessoa. Interplan, s/d. ___________, Walfredo. Roteiro Sentimental de uma Cidade. São
Paulo. Ed. Brasiliense, 1962. SOUTO, Jomar Morais de. Itinerário Lírico da cidade de João Pessoa.
2ª ed. Interplan, 1970. Passaremos, agora, aos debates com
a participação dos presentes. Já se encontrando inscrito o historiador Marcus
Odilon, passo a palavra ele. 1º participante: Marcus Odilon
Ribeiro Coutinho: Não tenho que fazer qualquer
reparo porque todos falaram bem demais, estando todos nós premiados por isso. O expositor Guilherme da Silveira
foi preciso, mas gostaria de acrescentar os
nomes de Luís Pinto, Eudésia Vieira, que também escreveu uma História da
Paraíba e falo de Eudésia Vieira porque, além de ser uma mulher já falecida, é
filha do município de Santa Rita e José Leal. Nosso debatedor deu ênfase ao
estudo das ruas, dos bairros e que nosso consócio Deusdedit Leitão já tem um
trabalho publicado sobre as ruas de Tambaú. Deusdedit publicou sobre a parte
mais nobre da cidade, onde ele e a maioria dos sócios moram. Mas quero lembrar
ao nosso Presidente que Natércia Suassuna Ribeiro Coutinho tem um trabalho de
sete anos de pesquisa. Não foi fácil. Mas inclui não só as ruas da elite, mas
até as ruas das favelas, onde vão aparecer nomes de gente que era apenas amiga
do vereador. E nomes que nem foram premiados com placa. É verdade que dei
alguma colaboração, mínima. Mas a autora está encontrando uma dificuldade
imensa para publicar esse trabalho. Fico pensando que ele vai ficar como ficou
toda a obra do padre João de Deus. 29 trabalhos, todos inéditos e a essa altura
todos perdidos. Apesar de rezar missa para governadores e interventores, nenhum
deles teve coragem de mandar A UNIÃO publicar seus trabalhos. Parece-me que
esse trabalho de Natércia vai pelo mesmo caminho; são 800 páginas
datilografadas. A editora A UNIÃO pediu R$ 19.000,00. É o preço de um carro
novo. Temos um romancista João Ribeiro Filho, que é autor de um excelente
romance, memorialista, um estilo muito assemelhado a José Lins do Rego, e sabe
a dificuldade. Gastou mais em fazer o livro do que em trocar o carro. Salvo
engano, ele vendeu o carro para poder editar o livro. De forma, que queria que
o Presidente fizesse um apelo em nome do Instituto, se tiver a aprovação dos
membros deste Ciclo, para a Universidade, a Editora A UNIÃO, a Secretaria de
Cultura, fazer a edição. Desde já, eu posso antecipar que Natércia Suassuna
abre mão dos direitos autorais e do que gastou até agora. É um trabalho
espontâneo, porque ela quer brindar a Paraíba neste fim de século e fim de
milênio, que vai resolver definitivamente a preocupação muito justa que está
tendo o Presidente desta Casa, nesta hora, expressa a alguns minutos antes. Luiz Hugo: Já tomei conhecimento do trabalho
de Natércia Suassuna e seu também, que também deu uma razoável contribuição ao
trabalho; essas dificuldades alcançam a todos. Vejam quanto está custando ao
Instituto publicar uma plaqueta das que mencionei, sobre os Historiadores da
Paraíba. O autor faz um esforço de pesquisa, e ainda a gente apela para que ele
dê uma contribuição financeira como ajuda para a edição; apelando para amigos
darem algum donativo, para podermos executar nosso projeto, que, para este ano,
envolve 12 plaquetas, dentro das celebrações dos 500 anos do Brasil. É o
resgate da atuação dos nossos primeiros historiadores, já falecidos. Temos
contado com a compreensão do editor Pontes da Silva, que tem o Empório dos
Livros. Digo da compreensão porque ele só vive aqui, não é só para tomar nosso
cafezinho; é para me cobrar. Imaginem nossas dificuldades para
editar a Revista do Instituto. Desde a fundação do Instituto que é um drama. A
primeira Revista saiu depois de quatro anos de sua fundação; a Revista nº 4
saiu em 1912 e a 5ª? A 5ª saiu em 1922, dez anos depois, e assim mesmo porque a
Paraíba sediou um Congresso Nacional de Geografia.; a 6ª, em 1928. E por aí
sai. É preciso muita ginástica. Em atenção à solicitação do companheiro Marcus
Odilon, vou diligenciar no sentido de dar uma penada em favor da edição do
trabalho da historiadora Natércia Suassuna, que também pertence aos quadros do
Instituto de Genealogia e Heráldica. 2º participante: João Batista
Barbosa: Quero me congratular com o
professor Guilherme d’Avila Lins por sua brilhante aula de sapiência que me
enriqueceu, apesar dos meus 87 anos; congratulo-me com o Instituto por esta
promoção extraordinária, esse prêmio que deu ao povo paraibano, com essa série
de palestras aqui proferidas. Vim aqui também para lembrar um
nome que me parece não citado, mas que na minha opinião deu uma grande
contribuição à História da Paraíba. Quero me referir ao Dr. José Joffily
Bezerra, já falecido. · · · Não havendo mais inscritos para
participar dos debates, lembro aos presentes que a próxima sessão será a de
encerramento deste Ciclo, convidando-os para assistirem à palestra do
historiador norte-riograndense sobre a PRESENÇA DA PARAÍBA NA CONQUISTA DO RIO
GRANDE. Está encerrada a sessão.